O telefone toca insistentemente no meio da tarde.
Voz controlada, mas com aquelas pausas longas demais, o tipo de pausa de quem está escolhendo cada palavra com cuidado porque tem medo do que vai sair se falar rápido.

"Silvia, eu não sei mais o que fazer."

O que me chama atenção não é a frase. É a respiração dela… curta, presa no peito, como quem segura o choro com a mandíbula.

A filha estava com marcas no corpo. Lacerações na pele, na região das coxas… feridas abertas que não respondiam a nenhum tratamento dermatológico.
Iam e voltavam e nenhum médico explicava.

E ainda tinha os sonhos… a menina acordava no meio da madrugada com o corpo encharcado de suor, coração disparado, sem conseguir se mexer.
Deitada de olhos abertos, completamente paralisada, tentando gritar e nenhum som saindo.

Eu escuto tudo o que ela me conta... anoto tudo.

Porque o corpo daquela menina estava contando uma história que ninguém ali tinha vocabulário para ler.

Quando a menina chega para o atendimento, eu faço o que sempre faço primeiro: abro o campo energético para leitura. Antes de qualquer conversa, antes de qualquer hipótese, eu preciso ver o que está operando ali.

E o que aparece me exige presença total.

A menina estava sendo invadida durante o sono por obsessores que a gente chama de íncubos e súcubos.

Eu vou te explicar isso com cuidado, porque é um tema que a maioria das pessoas nunca ouviu falar… ou ouviu de forma distorcida, como se fosse folclore medieval.

Íncubos e súcubos são entidades obsessoras que se alimentam especificamente de energia sexual. Eles não são demônios de filme de terror. São seres desencarnados que descobriram que a energia mais potente que um corpo humano produz é a energia sexual e que o momento de maior vulnerabilidade para acessar essa energia é o sono.

O que eles fazem é sofisticado e cruel: durante o sono da pessoa, eles manipulam o campo energético de forma que o corpo entre num estado de excitação. A pessoa sonha que está tendo relações sexuais. Sente prazer real, sensações físicas reais, porque para esses obsessores, quanto mais intensa a experiência, mais energia é liberada. E mais eles se alimentam.

É parasitismo energético. A pessoa acorda exausta, com o corpo pesado, às vezes com sensações físicas que não consegue explicar. E quando tenta reagir durante o sono, quando alguma parte da consciência percebe que algo está errado e tenta se mover, vem a paralisia.

O corpo trava... a mente acorda, mas os músculos não respondem.
Você fica preso(a) entre dois mundos, consciente o suficiente para sentir o pavor, paralisado(a) demais para fazer qualquer coisa.

A menina vivia isso todas as noites.

Inscreva-se para continuar lendo

Este conteúdo é gratuito, mas você deve estar inscrito em O Portal - A Jornada de Expansão para continuar lendo.

Already a subscriber?Sign in.Not now

Continue lendo