Quando chegamos em Brusque, eu e minha família, precisava encontrar um lugar para atender. Não conhecia ninguém na cidade, não tinha indicação, não tinha nada montado.

Encontrei uma clínica integrativa que parecia perfeita, um espaço bonito, com várias modalidades funcionando como pilates, yoga, terapeutas de diferentes áreas. Tinha movimento, tinha vida ali dentro.

A dona do espaço me recebeu com uma generosidade que me desarmou. Ofereceu dividir a própria sala comigo, me deu liberdade total. "Faz o que quiser, Silvia. Quanto mais a clínica crescer, melhor para todo mundo."

Fechei um contrato de seis meses, paguei adiantado, levei meus equipamentos, organizei tudo e comecei a atender.

E o trabalho deu muito certo. As pessoas começaram a me procurar, a agenda foi enchendo, o boca a boca foi crescendo. Eu estava feliz, finalmente criando raízes numa cidade nova.

Só que foi exatamente aí que as coisas mudaram.

Aquela liberdade que ela tinha me dado começou a encolher.
Primeiro vieram as regras novas sobre coisas que antes eu podia fazer e agora não podia mais. Depois vieram os olhares atravessados, as respostas secas, aquele tipo de frieza educada que diz mais do que qualquer discussão. A generosidade do começo virou um controle que crescia toda semana.

E eu comecei a sentir no corpo uma coisa que não fazia sentido.
Acordava com uma exaustão desproporcional, eu estava dormindo bem, me alimentando direito, mantendo toda a minha rotina de cuidado energético. Mas tinha um peso que eu não conseguia localizar. Uma confusão mental que não combinava com nada do que eu estava vivendo. Uma irritação sem endereço, como se alguém tivesse despejado areia dentro de uma engrenagem que sempre funcionou bem e agora travava sem motivo aparente.

Eu sabia que algo estava errado. Chamei a dona do espaço para uma conversa, porque acredito que as coisas precisam ser ditas de frente.

E foi nessa conversa que ela mesma me contou o que tinha feito.

Ela estava incomodada com o meu crescimento ali dentro e queria entender de onde vinha tanta irritação que sentia por mim. Então chamou um grupo que fazia alguns tipos de “trabalhos” e pediu que fizessem uma leitura do meu campo energético, sem o meu consentimento, sem eu saber, sem eu estar presente.

Um grupo de pessoas acessou o meu campo para investigar se eu estava "armando alguma coisa contra ela".

Não encontraram nada, obviamente. Mas o estrago já estava feito.

Porque quando alguém abre o campo de outra pessoa sem autorização, não está apenas olhando, está interferindo. E quando isso é feito por um grupo inteiro, com uma intenção carregada de desconfiança, de medo e de competição, o que se cria é uma carga magística real.
Não importa se quem fez achava que estava "só verificando". A intenção por trás contamina o processo inteiro e transforma aquilo num ritual, mesmo que ninguém ali tenha tido essa consciência.

Eu, que trabalho com energia há anos, levei um tempo considerável para me limpar daquilo. Precisei de trabalho sério e direcionado para desfazer o que foi colocado no meu campo.

E é aqui que eu preciso ser muito direta contigo, amor.

Eu chamo isso de Sabotagem Invisível.

Não é folclore, nem paranoia e não é coisa de gente mística demais. É o que acontece quando alguém direciona energia com intenção de prejudicar, consciente ou inconscientemente, e você recebe o impacto sem ter a menor ideia de onde aquilo veio.

E sabe qual é a parte mais difícil de tudo isso? Não é o ataque em si.
É que você não consegue se defender daquilo que não consegue identificar.

Você começa a se sentir pesada(o) sem nenhuma razão concreta. A mente fica confusa, como se você tentasse pensar através de um algodão grosso. Projetos que estavam andando bem travam de uma hora para outra. Relacionamentos que estavam tranquilos começam a gerar atrito do nada. Você vai perdendo energia, perdendo clareza, perdendo a direção das coisas e a primeira coisa que faz é procurar a causa dentro de si mesma(o).

"Devo estar cansada(o) demais." "Preciso meditar mais, não estou conseguindo manter a disciplina." "Acho que estou passando por alguma fase de purga espiritual."

E aqui está o atrito real, aquilo que eu preciso que você entenda: você pode meditar todos os dias, fazer seus banhos energéticos, acender suas velas, manter uma rotina espiritual impecável e ainda assim continuar sendo afetada(o). Porque a limpeza energética de manutenção não foi feita para remover interferência intencional de terceiros. É como passar álcool gel numa ferida que precisa de sutura, o gesto é correto, mas a ferramenta não dá conta do problema real.

Você não está falhando na sua prática. Você está usando a ferramenta errada para o que está acontecendo de verdade.

A Sabotagem Invisível prospera justamente por causa disso: a pessoa que está sendo atingida duvida de si mesma antes de sequer considerar que a origem do problema é externa. Ela se culpa pelo cansaço, se cobra mais disciplina, tenta mais uma técnica, compra mais um curso, faz mais uma limpeza e nada muda de verdade. Porque o problema não está na prática. Está no que alguém colocou no campo sem que ela(e) soubesse.

E isso não acontece só no meio espiritual não. Acontece em escritório, em família, entre sócios, entre amigos, entre vizinhos. Toda vez que alguém sente inveja, medo ou raiva do crescimento de outra pessoa e direciona isso com intensidade, tenha consciência disso ou não, a outra pessoa recebe. A diferença é que a maioria das pessoas não tem vocabulário nenhum para nomear o que está sentindo. Então convive com aquele peso achando que é dela.

Agora eu te convido a olhar para a tua vida por um minuto:

Existe alguma área que travou de um jeito que você não consegue explicar, algo que estava funcionando e simplesmente parou?

Você tem sentido um cansaço ou uma confusão mental que não corresponde ao que você está vivendo de concreto no dia a dia?

Quando pensa nas pessoas ao seu redor, no trabalho, na família, no círculo social, existe alguém que pode estar incomodado com o seu crescimento, mesmo que nunca tenha dito isso em palavras?

E a pergunta mais difícil de todas: quantas vezes você tentou resolver sozinha algo que não era seu para carregar?

Ritual do Inventário Energético

Esse ritual não limpa nada. Mas ele mostra onde você está tentando resolver sozinha algo que exige outro tipo de intervenção e é exatamente isso que precisa ficar visível antes de qualquer próximo passo.

Escolha um momento do dia em que esteja sozinha e em silêncio. Pegue um papel e uma caneta.

Divida a folha em duas colunas. Na da esquerda, escreva: "O que é meu." Na da direita: "O que pode não ser meu."

Agora pense em tudo que você tem sentido nas últimas semanas… o cansaço, a irritação, a confusão, os travamentos, o peso no corpo, os pensamentos repetitivos que te puxam para baixo. Para cada item, se pergunte com honestidade: isso tem uma causa concreta e identificável na minha vida, ou apareceu sem explicação nenhuma?

O que tem causa clara vai na coluna da esquerda. O que não tem explicação vai na da direita.

Você não precisa ter certeza de nada. O exercício não é sobre acertar, é sobre perceber quantas coisas você anda carregando sem nunca ter parado para questionar se elas são realmente suas.

Quando terminar, olhe para a coluna da direita. Se ela estiver mais cheia do que você esperava, essa é a informação que importa. Não para resolver já, mas para parar de se culpar pelo peso que pode não te pertencer.

Faça esse inventário uma vez por semana durante três semanas. Compare as listas. Observe se os itens da coluna direita mudam ou se repetem. Quando algo se repete, é padrão. E padrão é exatamente o que a gente precisa enxergar antes de decidir o que fazer.

(se precisar de um auxilio para entender tudo isso, pode responder este e-mail, eu leio tudo).

Sabe o que aconteceu quando aquela dona de clínica rescindiu o meu contrato? Tudo fluiu. A confusão mental sumiu, a energia voltou ao normal, e os caminhos que pareciam completamente travados se abriram como se nunca tivessem estado fechados.

Não foi porque eu meditei mais, nem porque encontrei alguma técnica nova. Foi porque a interferência saiu do meu campo.

Eu trabalho com energia há muitos anos e ainda assim precisei de ajuda para identificar e limpar o que foi colocado ali. Sozinha, com toda a minha experiência, eu estava confusa, achando que o problema era meu.

Se aconteceu comigo, amor, pode estar acontecendo com você.

E considerar essa possibilidade, sem medo, sem vergonha, já é o primeiro passo para parar de carregar aquilo que não te pertence.

P.S. Responde esse e-mail me contando, você já sentiu algo assim?



Silvia Carolo
O Portal

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